sábado, 29 de janeiro de 2011

A paz do silêncio.


De todo modo, estava só. Estava só, mas sentia uma paz profunda, que naquele momento parecia ter caído do céu. Algo que nunca tivera chance de sentir. Estava em contato consigo mesma, e mais ninguém. Era uma sensação libertadora, que a fazia sentir que podia pular pela janela e sair voando. Como asas nos pés. Mas ficou ali, em companhia de si mesma observando a vida lá fora. Aquela vida estressante, e aquela vida que não era mais sua. E nada melhor do que estar em contato consigo mesmo, na mais absoluta solidão. Porque até mesmo o vazio pode ser tudo de que precisamos. E de fato, precisamos!


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Desabafo!


Sou a parte errada dessa história toda. A parte desconcertada. É assim que venho me sentindo nos últimos dias. Esqueceram de me dizer que eu seria o “burrinho” da vez. Sinto como se o mundo inteiro estivesse jogando a bola e eu largada no meio, tentando alcançar. Só não sei o que preciso alcançar. As pessoas resolveram fazer com que eu me sinta uma idiota, e isso não é bom. Porque eu cansei e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Não adianta você vier com mil explicações ou conversas em vão. Eu só preciso ficar sozinha, pois é o único modo de me sentir segura. Mas estar no mundo já é uma insegurança. Talvez o jeito seja me esconder em minha própria mente, onde nada é injusto e a verdade existe. Ou aprender a suportar um dia por vez. E é isso que venho tentando, a todo tempo!


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tão frágil.

     Ele caminhava em uma manhã fria de inverno, querendo afastar os próprios pensamentos, quando a viu.  Lá estava ela na praça alimentando os pássaros. Estava tão sozinha, tão desprotegida. Parecia não se incomodar com o olhar em sua direção, ou talvez não o tivesse visto. Estava em algum lugar dentro do seu pequeno mundo de vidro.

     Pensou em aproximar-se - ela a lembrava alguém de algum lugar- mas ficou ali parado apenas observando-a. Doce menina, que história trazia? Quem sabe não a veria mais, não podia perder a chance. Mas suas pernas falharam quando viu seu olhar em sua direção.

     Olhou aquele homem se virar e sair andando. Por que estaria ali parado? E sem dar muita importância, voltou-se a alimentar os pássaros.

      Pai e filha, no fundo se reconheceram. Mas sem saber da existência um do outro, voltaram para suas próprias vidas ignorando aquele pequeno encontro. Casual, mas de valor ao destino. Nunca saberiam que um dia chegaram a estar tão próximos. E a vida continuaria, com seus mistérios guardados!



domingo, 16 de janeiro de 2011

Longe daqui

Depois que você passa por tantas coisas em um só lugar, chega um ponto que você não aguenta mais e precisa sair de lá. Ou daqui. Você passa uma vida inteira aguentando coisas -suas, família, falsos amigos, boatos- que cansa. Cansa de voltar ao início, cansa de mais uma vez precisar gritar para o mundo ouvir que você não-é-daquele-jeito. Existem tantas pessoas fúteis no mundo que vão querer te derrubar. Algumas, até tentam a toda hora. Eu não diria que por inveja, e eu não saberia dizer o por quê. E, quase sempre, ou sempre, não tinha amigos para ajudar. Alguns fingiam ouvir, outros falavam sem saber sobre o que se tratava. Disso, é outra coisa que já estou farta. Na verdade, sinceramente, estou farta desse lugar e dessas pessoas. Em breve, quem do meu lado sempre esteve, irá embora. E eu? Continuarei aqui. Com quem? Por que? Se meus sonhos estão tão distantes... Se minha vida toda esta lá fora, chegou a hora de sair de dentro dessa bolha de nuvens escuras. Eu só quero, preciso, encontrar o meu lugar no mundo. E que eu sei, que com certeza, não esta aqui. Apenas quero sair por aí, do jeito que eu quiser sem ter que me preocupar com os outros. As fofocas dos outros. Procuro o lugar aonde poderei ser livre, e fantasiosamente ter asas. Para voar. Voar. E ter ar para respirar, sem ser esse ar que me sufoca. Sem ser essa brisa que leva mentiras de bocas em bocas, ferindo a alma sem motivo. Procuro verdades, e mais que tudo, procuro minha paz!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Never leave me


     Como eu queria que você estivesse aqui. Como eu queria poder te abraçar, ouvir sua voz e ver seus olhos todos os dias. Essa distância acaba comigo, destrói com minha estrutura. Pensava que o amor estava perdido em mim, mas como explicar tudo isso? A cada dia minha necessidade de ti torna-se maior, a cada dia você cresce mais em mim. Um amigo, uma única alma, uma distância gigante. E um sentimento maior que tudo. 

     E mesmo assim, a milhas de distância, eu posso te sentir aqui. Posso sentir o calor do nosso amor. Sinto-me sozinha, mas você faz-se presente. Eu sonho com o dia que poderei te encontrar e correr para teus braços, olhar no seu olho e dizer: Só Deus sabe o quanto esperei por esse dia! Porque nada, absolutamente nada poderia destruir isso dentro de mim. Esse desejo, essa vontade... De ter você.


                                               I miss you, A.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amor, Ex amor.


     Sentada a mesa de jantar, no silencio, um copo na mão. O vento a assoprar as chamas das velas fazendo-as balançarem, produzindo pequenas faíscas a iluminar o ambiente de pouca luz. Extrema solidão. No colo, uma carta. Lida e relida. No espaço uma voz a lhe chamar.

      Lá fora, o homem encolhia-se para se proteger do frio da noite enquanto aguardava uma resposta. Ansioso, esperando alguém a olhar pela janela. Passavam-se os minutos, quando um rosto conhecido imergiu da escuridão chamando-o para entrar. Sem animo, aproximou-se do desconhecido deixando então, para trás, aquela a quem tanto amou. 

     Indiferente, aproxima-se da janela vislumbrando o desaparecimento daquela alma. Um soluço escapa-lhe a boca, enquanto uma lágrima lhe corre o rosto. Vira-se, lentamente, para o pequeno espaço. Seus olhos a correr o ambiente apertado. Aproxima-se da carta e em um rápido movimento a guarda dentro de si. Correndo os pequenos degraus procura a porta e se põe a caminhar pela rua. Coração apertado. Toca a campinha. Com um intenso rangido, a porta se abre. No fundo, um homem.  Alguém aos beijos com outra. Entra, em direção aquele homem. Descobre, por fim, seu amor. Seu ex amor, perdido naquele lugar horrível fedendo a cachaça. Seu ex amor, que um dia, juntos, fizeram planos. Planos esquecidos, e agora, perdidos para sempre! Perdidos um do outro. Prontos a caírem na terrível autodestruição. Na solidão de dois corações partidos.