terça-feira, 29 de março de 2011

L'esprit

Era uma jovem, cujo destino ninguém saberia - nem mesmo os deuses. Tinha tanto amor, por tudo ao seu redor. Um amor escondido, perdido, desaparecido. Nascia e morria. Recobria. No entanto, olhando de longe, era apenas uma pessoa calma, que dançava ballet clássico e delicia-se ouvindo o som do piano ao lado. Viaja para dentro de uma mente infinita de sonhos e planos. Quem, ao olhar para ela assim, sentada por cima das pernas, mãos no colo e olhar vago apontando para direção alguma, tentaria decifrar seus pensamentos. Impossíveis, até para ela mesma. E de repente surpreenderia-se ao se ver diante de um espelho. Fitaria aqueles pequenos olhos de porcelana, por horas, veria imagens transpassadas com a sua e perderia-se entre as pessoas. Todas aquelas imagens e vozes, passando correndo ao seu redor, umas gritando e outras chorando. Veria. Por fora, nada se vê. Mas dentro do espelho ela entenderia seus desesperos. Olharia para o céu, e novamente para a terra. Ergueria-se e, sustentando aquele seu doce olhar vazio, seguiria seus passos. Os seus passos. E sonharia tudo. Mais uma vez!

E novamente seria apenas mais uma bailarina. 







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