segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resquícios de uma vida de curtas memórias

A vida segue a barca enquanto vamos perdendo coisas pelo caminho. Um dia, no cair de uma de tarde, desenterramos coisas guardadas em uma caixa de papelão. Pessoas e suas histórias. E pensar que de repente toda nossa vida resume-se a cartas antigas, roupas esquecidas e nossa boa memória. Lembrancas dos que não vivem, ou os que ainda vivem, perdidos em algum ponto de nossa estrada, deixados para trás. Resquícios de lugares, numa vaga tentativa de refazer uma vida como em um filme -daqueles bem antigos- onde rebobinasse a fita. E o tempo vai passando, a cada minuto mais rápido levando-nos com ele. O tempo também leva aqueles que um dia nós amamos, ou os que já odiamos. O tempo passa, depressa, como se tivesse prazo de validade. A cada ano algumas memórias vão perdendo-se com a chegada da idade. Mas não só a idade faz com que as coisas percam-se no tempo. E a vida? E os rumos que decidimos seguir? Eu paro e olho ao meu redor, enquanto sigo a estrada, muitas vezes sento em uma pedra encontrada pelo caminho e olho para trás. Logo, olho para a frente. Quantas coisas se foram, e quantas ainda haverão de partir... E você, minha jovem, até quando ficará andando ao meu lado? Nossas vidas curvas encurvam-se a cada virar de esquina. O tempo é quem decide!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Um grito de dor

Nesses últimos meses andei tentando esconder a minha solidão com sorrisos forçados e máscaras de plástico. A verdade é que estou me sentindo muito sozinha, e não sei como lhe dizer isso. Minha máscara começou a derreter, e já não consigo mais disfarçar. A algum tempo atrás eu andava tão deprimida, que falaram-me: "Pare de andar de cabeça baixa, erga esse rosto, as pessoas já estão se cansando"; desde então, não sei mais como falar com as pessoas sobre meus sentimentos. Criei um muro de felicidade, -ilusória-, na frente de todos os reais sentimentos, e me esforcei tanto para que esse muro não caísse que hoje ele esta mais alto do que eu possa alcançar. Fiquei para o lado de dentro, e você foi arremessada para o lado de fora. Eu sinto em lhe dizer, que já não tenho mais o que falar. Estou sozinha e não suporto mais esse sofrimento. Preciso de uma mente nova. Um coração novo. Preciso -mais que tudo- de alguém!


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um rastro no mundo

Sou um borrão esquecido, perdido entre as profundezas da Terra. Meu ser caminha a mim mesmo com passos desconhecidos - sou uma estranha perante a mim mesma. Vivi enormes histórias, e no entanto, não lembro mais de alguma. Minha memória foi perdendo-se com o tempo, meus rastros foram ficando para trás, a selva em meu coração, devastada escapou junto com mãos gigantes, retirando pouco a pouco o pouco que me tinha. Giro em uma órbita desorientada, mudando o rumo a cada segundo. Continuo a viver procurando minhas partes esquecidas e outras inventadas. Procuro recomeçar mas não posso fugir desse ímã que me puxa novamente para baixo. Minha realidade mistura-se com fantasias fictícias. Dizer quem sou é perigoso. Para mim e para você. Sou um borrão cumprindo o seu destino, rastejando entre a relva procurando o fim de mim mesma. Mas eu desisti dessa luta pela procura de descobrir o que sou. Contento-me com a vida que passa, envelhecendo a cada minuto. Tudo é um mistério para mim!


Desisti de me esquivar de ser o que sou: um borrão indecifrável!