quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Drama Daquele Que Vive Só

     Inquieto, remexia-se na cama. Incomodado, esticou o braço para fora a procura do interruptor. Aos poucos seus olhos iam acostumando-se com a luz amarelada vinda do abajur. Olhou em volta procurando pelo relógio, e viu que só passara uma hora após ter deitado. Sonolento, levantou-se e caminhou até a janela, pensando em como não conseguia dormir a dias. No começo, não conseguia pensar em uma razão para sua insônia. Já tentará tomar chá, leite quente, dormir mais cedo, dormir mais tarde, tomar pílula, tentou todas as maneiras mais conhecidas para tentar ter uma noite de sono tranquilo. Mas nada, remexia-se inquieto toda noite, tentava de um lado, depois virava para outro, e de repente acabava levantando, vagando por seu quarto a noite toda. Olhou seu rosto no espelho e viu sinais de olheiras. Precisava tomar uma medida! 
     De repente, como um possível sinal de sua insônia, olhou para sua cama, vazia e com lençóis revirados. Sentiu que estava caindo na realidade, e foi tomado por uma pequena dor de cabeça. Estava só. Todos tinham razão, estava realmente só. E como doía a solidão... Por tantos meses insistia em afirmar que estava bem assim, que isso não o incomodava, mas estava ali, todas as noites, a procura de alguém para abraçar no espaço vazio que sobrava de sua cama. Como pesava estar sozinho. Não desses pesos de quando estamos cheios de problemas. Era um peso vazio. Talvez tudo o que estivesse procurando fosse somente isso: alguém!
     Entretanto, seus dias eram cheios, seu coração estava fechado e a cada ameaça de aproximação, prendia-se em seu mundo. Fechava-se para todos. Quem saberia explicar o motivo... Talvez fosse medo, ou desolação, ou podia até mesmo ser uma barreira, uma forma de autodefesa. O fato é que nem ele mesmo poderia nos dizer. Estava tão desconhecido de si mesmo, quanto estava para todos os que o viam, assim, de longe. Precisava mudar, dizia para si mesmo enquanto caminhava pelo quarto. Precisava dar espaço a novas pessoas, novos romances, ou lances, ou como quer que chamassem - ou ele mesmo chamasse. O problema, é que todos sabemos, do quanto que é difícil sair de nosso casulo para enfrentar a vida aqui fora. E o maior problema ainda, ele sabia, era de como isso realmente é preciso se quisermos ter alguém a quem abraçar na cama enquanto dormimos. 
     Ele, assim como eu, não queria mais sofrer de insônia. Mas como poder afirmar que no dia de amanhã, as coisas não serão tão iguais como as de hoje? Levamos tempo para entendermos o que realmente nos falta, e mais tempo ainda até conseguirmos tê-la. E entendê-la. E mudar!

2 comentários:

  1. Nossa, adorei o clima por aqui... muito bom seu blog, li alguns de seus textos, você escreve muito bem, parabéns ._.
    http://designerofmonsters.blogspot.com/ <3

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  2. mudar, eis o passo mais difícil, por conseguinte o mais importante!

    bjus da kirah^^

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