quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Étoiles de la Nuit



Em uma plena noite de verão, com o calor efervescendo o corpo daqueles que ainda estavam em pé durante a chegada da madrugada, ela sentia-se irrequieta. Não pudera dormir como acontecia em todas as noites. Sua mente vagueava entre mundos, seu corpo entorpecido jazia descoberto, tendendo a ficar inquieto à medida que seus olhos percorriam o ambiente.  Num segundo, olhando para cima, deu-se o encontro dos seus olhos com as estrelas no céu noturno, visíveis através da persiana aberta, ao mesmo tempo em que fachos de luz do poste entravam pela janela iluminando a parede acinzentada. E por horas ficou a contemplar as estrelas. Tão bonitas, tão grandiosas, porém pequenas vistas da Terra. Para alguns, ela sabia, o espaço é um lugar tão solitário. Mas não para ela, que só de olhar podia desvendar os mistérios contidos em astros tão luminosos. As estrelas eram maravilhosas em seus pequenos olhos escuros. Olhos que vagueavam a noite a procura de respostas. Pois ali, em seu quarto, a solidão postava-se demasiadamente grande e sombria. Seu âmago sabia, estivera atrás de alguma coisa, por menor que fosse para encher o vazio que a penetrava dia após dia. No entanto, ao olhar para o céu, via as estrelas como sua fonte superior, sua fonte de poder. Ao vê-las, tão distantes, tão pequenas, não se sentia mais só. O negro do espaço era reconfortante, com sua dimensão infinita de descobertas e segredos. E fechando os olhos, ela fazia um pedido às estrelas, sentindo o sopro do vento em seu rosto, enquanto adormecia lentamente. No fundo sempre soubera, as estrelas eram a sua crença. E o espaço jamais seria um lugar solitário!


sábado, 7 de janeiro de 2012

Janeiro - outro começo

     Nunca me senti dona de uma saúde perfeita, apesar de não possuir ossos de vidros. Não me quebro fácil - e pensando bem, acho que nunca cheguei a quebrar um osso. Mas nunca tive uma grande disposição para qualquer coisa, como uma bola de futebol furada que não rola por muito tempo. Sempre me senti uma gelatina, ou um gelo a derreter. Depois de algumas horas, meus braços pesam e caem, minha cabeça pesa e cai, minhas pernas cansam e ajoelham-se, e meu corpo todo tende a recostar-se a algum objeto e, assim, profundamente, meus olhos fecham. 

     Dizem que pareço frágil, prestes a quebrar a qualquer instante. Mas e quem não é? Bem... Não somos frágeis, amenos quem não tem ossos de vidro. E por isso sou grata. Nasci com todos os ossos no lugar e em perfeito estado. Mas e o resto? Ah, o resto... Fico pouco tempo em pé. As vezes chego a ser uma marionete, dependendo de forças externas para continuar a me mexer, e assim que essas forças se cansam, eu caio. Por partes não consigo esconder a minha fraqueza. Aliás, fico sem poder esconder por muito tempo, assim como um camaleão não se camufla por horas - sempre volta à sua cor natural. Mas não é essa a questão.

     Também sou muito forte, já aguentei muitos terremotos sem me mover e muitas agulhas no corpo sem dar um grito. Por que gritar? O mundo não aguentaria tantos berros, ainda mais de cada habitante. Como eu disse, somos fortes. E fracos. Ninguém é imensamente feito de pedra e nem imensamente feito de areia. Mas também não é esse o ponto.

     O que quero dizer é: nunca me senti dona de uma saúde perfeita. Sempre tive falhas, em qualquer aspecto. Não sou imune a gripes, febres, e nem a mentiras, falsidades. Não sou imune também a esse calor, já que falamos de saúde. Mas não é aí onde quero chegar. Falo em saúde e o que importa ser física, mental, sentimental, da cabeça ou do intestino? Ninguém possui uma saúde de ferro, porque ninguém é feito de lata. E até o homem de lata não possui uma saúde perfeita. Ninguém. Somos expostos todos os dias as outras pessoas - e não quero dizer que elas sejam tóxicas, muito pelo contrário -, mas podemos voltar ou frágeis ou fortes para casa. Mas e qual é a questão?

     Janeiro esta aí outra vez, precisamos cuidar de nossa saúde. Não existe recomeço em outros anos, isso é apenas psicológico. Aliás, não existe recomeço em qualquer hora de qualquer dia. Apenas existem outras chances. Mas chances não são tão inspiradoras como recomeços, assim podemos nos aproveitar de nossa saúde psicológica possuir algumas poucas falhas. Dessa maneira, mais 300 e poucos dias nós deveremos construir, e a cada dia, mais 300 e poucos milhões de pessoas poderão passar por nós, por nossas vidas, por nossas casas, por nosso interior... E mais 300 e poucos vírus poderão estar nos ares, nos quais respiramos, e 300 e poucas vezes poderemos ficar mal da saúde. Assim como 300 e poucos milhões de horas nós criaremos novos anticorpos, e mais 300 e pouco mil dias nós sorriremos, brincaremos, festejaremos. Serão mais 300 e poucos dias, e precisaremos cuidar de toda nossa saúde. Física, mental, espiritual, sentimental, da cabeça, do estômago... Todos nos sentiremos ou como gelo ou como ferro em alguns desses novos dias. Mas isso não importa, o importante é saber que não seremos únicos, e estaremos sempre nos recuperando. 

E esse é o ponto exato!